O Boeing DC-8 remotorizado da Vasp

Depois da privatização da empresa, ocorrida em setembro de 1990, a Vasp teve um período curto de rápida expansão e aumento da frota. No espaço de um ano, a quantidade de aeronaves quase dobrou e alguns dos aviões arrendados, como o Boeing 737-400, o Boeing DC-10-30 e o Boeing DC-8-71F, foram introduzidos pela primeira vez em serviço na empresa paulista. Este último modelo, trazido ao Brasil para alavancar as atividades de carga e fazer vôos internacionais nesse segmento, era derivado do conhecido DC-8-61, porém remotorizado com as turbinas CFM56, que aumentavam consideravelmente sua capacidade de operação, principalmente em potência e peso de decolagem. Três aviões desse tipo foram recebidos pela Vasp e matriculados PP-SOO/P/Q.

Suas operações no Brasil limitaram-se a pouco mais de um ano e meio, entre 1991 e 1993, principalmente nas rotas de São Paulo para Manaus e Miami, porque com a crise vivida pela aviação mundial no começo da década, fruto da Guerra do Golfo e da conseqüente queda de demanda, a Vasp também passou a ter aviões em excesso para um mercado de passageiros e carga em plena recessão. O resultado disso foi a retomada, pelos arrendadores, de vários aviões da empresa que já estavam fora de operação regular, entre eles os três DC-8. A curiosidade sobre a operação desses cargueiros no Brasil era que eles seguiam regularmente em vôo de translado para manutenção de rotina ao aeroporto de Congonhas, situado no centro de São Paulo e onde está localizada a sede da empresa. A operação era possível devido à grande potência dos seus motores, que permitiam pousos e decolagens seguros, mesmo numa pista com menos de 2 mil metros de extensão. Em 1995, quando o mercado de carga voltou a ter crescimento, a Vasp operou novamente alguns desses Boeing DC-8 remotorizados; porém, nessa ocasião, os aviões foram contratados no sistema de wet-leasing da empresa americana Emery Worldwide.

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