As lembranças da Viasa

Em 21 de novembro de 1960, nascia a Viasa, formada conjuntamente pela LAV (Línea Aeropostal Venezolana) e Avensa, com o objetivo de canalizar e racionalizar as rotas internacionais de ambas para apenas uma operadora. Os serviços aéreos foram iniciados em abril de 1961, usando aviões Douglas DC-8 e com suporte técnico fornecido pela KLM. Ainda neste ano, recebeu dois Convair 880, que foram utilizados para inaugurar a rota para Nova York. A partir disto, a empresa firmou-se no cenário de aviação intercontinental. Nos anos 70, a empresa já tinha rotas regulares para diversas cidades européias, entre elas Madri, Lisboa, Londres, Amsterdã, Roma e Frankfurt, além de localidades no Caribe e Estados Unidos. Voava também para o Brasil, atendendo à cidade do Rio de Janeiro com aviões Douglas DC-8 e DC-10-30, que foram adquiridos na metade desta década. Mais tarde, eventualmente, também chegou a utilizar os Airbus A300 nessa rota. No início dos anos 80, a empresa passou a ser propriedade exclusiva do Estado Venezuelano, quando a Corporacíon Venezolana de Fomento adquiriu os 25% restantes das ações que estavam em poder do capital particular. Nesta mesma época, passou a utilizar o Boeing 747-200 no transporte de carga, entretanto estas operações não duraram muito tempo. Em 1989, a empresa resolveu incluir a cidade de São Paulo em suas operações, aproveitando o bom índice de ocupação que tinha nos seus vôos para o Brasil. No começo da década de 90, foi anunciado o processo de privatização da companhia, que terminou no ano seguinte, quando a Ibéria adquiriu 60% das ações da Viasa. Os 40% restantes das ações foram distribuídos entre os funcionários e o Estado. Foi nesta época que a empresa passou a enfrentar problemas financeiros, com seguidos resultados negativos, reflexos também da situação difícil que a aviação mundial enfrentava, com a queda acentuada de demanda após a Guerra do Golfo. Apesar da crise, a empresa chegou a anunciar a aquisição de dois MD-11, sendo uma das empresas lançadoras do modelo, porém a renovação da frota acabou se restringindo ao recebimento de mais alguns Boeing 727-200 e Douglas DC-10-30. No começo de 1997, após ver a companhia naufragar em dívidas, o Governo da Venezuela e a Ibéria, que eram as sócias majoritárias, resolveram encerrar as atividades da Viasa. As operações da companhia já estavam suspensas antes disso, enquanto o governo do país buscava uma fórmula para tentar salvar a empresa economicamente, o que acabou não acontecendo. A imprensa venezuelana chegou a noticiar que a falência da Viasa ocorreu em resultado de um processo de privatização desastrosamente administrado, já que a empresa fora parcialmente vendida à Ibéria que, ao ver os fracos resultados do processo de reestruturação que vinha conduzindo, redirecionou os investimentos para outros setores de seu interesse.

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