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CLAIRE - UM PROGRAMA PARA AMBIENTES MAIS PUROS


Embora a aviação lance na atmosfera um volume mínimo de dióxido de carbono, a indústria aeronáutica já se conscientizou da importância de caso possível, reduzir a zero este e outros poluentes. O que é previsto para ocorrer dentro dos próximos 50 anos. Na MTU Aero Engines a redução drástica das emissões de dióxido de carbono nos motores está tomando forma com o estabelecimento de três estágios distintos, cada qual um salto na evolução das mais novas tecnologias em propulsão. O ambicioso programa recebeu o atraente nome feminino de CLAIRE, sigla composta para identificar o objetivo CLean AIR Engine (motor de ar limpo), baseado em componentes existentes e provados em serviço. Etapas de redução de 15%, 20% e 30% no dióxido de carbono são as metas que o principal fabricante de motores na Alemanha se propôs até 2035, um cronograma formulado conjuntamente pelos especialistas em motores da MTU e a Bauhaus Aerospace. Uma das grandes vantagens do programa CLAIRE é que todos os componentes-chave já existem ou, no mínimo, já provaram sua viabilidade. Eles foram testados com sucesso e corresponderam a todas as expectativas de eficiência energética e rentabilidade. O fabricante alemão faz questão de esclarecer: “não estamos nos referindo a meras visões, mas a projetos que lançamos internamente na MTU e que podemos lançar no mercado em datas preestabelecidas”.

Sucesso com o turbofan com engrenagens
 
O conceito dos três estágios de redução do CO2 da MTU está atrelado a um novo tipo de turbofan dotado de uma transmissão a engrenagens que por si só, já resultará em uma redução de 15% no planejamento geral de gestão do dióxido de carbono. Seus componentes principais são a turbina de alta velocidade e baixa pressão, um compressor de alta pressão construído pela MTU e Pratt & Whitney e uma caixa de engrenagens desenvolvida exclusivamente para o novo motor pelo especialista em transmissões Avio, da Itália. A “mágica” permitida por um turbofan equipado com uma caixa de transmissão por engrenagens é a de desacoplar o fan da turbina de baixa pressão que nos motores normais é montado no mesmo eixo. Assim, os dois componentes, individualmente, podem alcançar seu desempenho ótimo, melhorando a eficiência e reduzindo o nível de ruído. Quanto maior a eficiência de um motor, tanto menor seu consumo de combustível e sua emissão de dióxido de carbono. Durante o segundo estágio do programa CLAIRE, o turbofan com engrenagens é equipado com um fan contra-rotativo projetado para elevar a redução de CO2 à marca de 20%, em torno do ano 2025. Nos anos 1980, a MTU já havia desenvolvido e testado pela primeira vez um fan com a mesma configuração, obtendo um excelente índice de eficiência. Na ocasião, o fan foi envolto em uma carenagem em forma de anel, mostrando sua superioridade com relação à configuração aberta. A Aero Engines espera obter os últimos 10% de redução do CO2 do CLAIRE com o uso de um equipamento de recuperação e outras tecnologias inovadoras, como um compressor inteligente e arrefecimento do ar. Espera-se que em 2035, o turbofan contra-rotativo com caixa de transmissão por engrenagens e recuperador deva finalmente, proporcionar a redução de 30% nas emissões de CO2, meta inicial do CLAIRE. A MTU aproveita a oportunidade para também atacar o problema da geração de ruído nos motores e verificou que seu novo motor reduzirá pela metade o nível de percepção de ruído quando comparado ao gerado pelos turbofans atuais de igual potência. O propfan carenado desenvolvido com sucesso nos anos 80, parece ser a única opção disponível para satisfazer às exigências com relação aos níveis de ruído esperados no futuro, a configuração aberta não poderá satisfazê-las. O conceito desenvolvido pela MTU parece ser de rápido retorno diante do papel crescente do planejamento anti-ruído de novas frotas de aeronaves, quanto mais silenciosas tanto mais eficiente poderá ser sua utilização.
 
Novos conceitos em aeronaves
 
A empresa também espera que as melhorias adicionais no desempenho ambiental sejam conseqüência de novos conceitos em termos de aeronaves. É este o foco primário da Bauhaus Luftfahrt, uma associação de pesquisas lançada, entre outros, pela MTU Aero Engines. O comandante da jovem “usina de talentos” foi o responsável por tecnologias avançadas na própria MTU e assim está plenamente familiarizado com seus objetivos. “Uma das questões-chave que estamos estudando é a melhor maneira de integrar os motores nas plataformas das aeronaves de modo a otimizar a aerodinâmica. Nossos conceitos visualizam um sistema futuro de transporte aéreo que torna os vôos de pequeno e médio alcance extremamente silenciosos, oferecendo o máximo de economia em recursos e espaço”, explica. MTU e Bauhaus concordam que a viabilidade comercial das futuras aeronaves não será determinada exclusivamente pela competência tecnológica. “O sucesso sempre foi um compromisso de trocas entre economia, ecologia e tecnologia. É dentro deste triângulo mágico que uma organização precisa encontrar o equilíbrio adequado para cada um de seus produtos. O mercado vai rejeitar todo e qualquer excesso em tecnologia ou ecologia à custa do preço e vice-versa.”    03/04/2008